A Asso-Música precisa de um gabinete de censura?

O assunto é polémico e quem arriscar em tratá-lo em hasta pública deve primeiro preparar seu escudo.

Mas é desonesto falar dele sem reconhecer a audácia do saudoso António da Conceição de Jesus “Ancoje”, também apelidado de poeta da idade madura, personalidade que contra todas as expectativas, trouxe o assunto à debate público.

Para o Ancoje, a Associação dos Músicos Cristãos devia ter um gabinete com a responsabilidade de analisar e corrigir todas as músicas gospel antes que fossem parar às igrejas ou ao mercado.

Foi/é a única pessoa no meio evangélico (angolano) que reiteradas vezes foi à órgãos de comunicação falar de músicas, que até fazem sucesso, que apresentam erros teológicos graves, que levam pessoas a sustentar sua fé em valores errados.

Pessoalmente tive vários debates com o Ancoje. Apesar de concordar com a criação do gabinete, minha visão sobre a sua actuação era/é diferente.

Para mim, a Asso-Música precisa sim de um gabinete de censura, análise ou qualquer outra coisa que concordemos denominá-lo, onde os músicos de forma voluntária pudessem buscar aconselhamento, sobretudo porque muitos músicos congregam em igrejas pastoreadas por “paraquedistas”, sem a mínima formação teológica e cujo objectivo principal é o lucro. Logo, mas preocupados em entreter as pessoas em troca de kwanzas.

Não ignoro que pastores com boa formação teológica e até anos de experiência também estão susceptíveis a cometer erros. São humanos. Ainda assim, as chances de falharem comparando com os paraquedistas, são mínimas.

Mas voltando ao gabinete de censura, se equipado com pessoal qualificado para essa missão, os músicos ganhariam e a sociedade também, pois receberia conteúdos que realmente edificam. É o que este país precisa: pessoas que conheçam e procuram viver as escrituras.

Não duvido que o trânsito religioso que se verifica hoje, esteja a ser fortalecido em parte por estas músicas gospel que chegam a colocar o homem no lugar de Deus.

Com o gabinete, poderia emergir uma nova e necessária cultura que privilegia a crítica, capaz de promover mudanças há muito esperadas. Sem crítica não há desenvolvimento. Claro, não é certo responsabilizar só a associação porque há uma imprensa que se diz evangélica e tem, não sei se sabe, responsabilidades.

Não conheço os programas de todos os candidatos à presidência da Asso-Música, mas espero, para o bem de todos, músicos e não só, que estejam a pensar no assunto.