Carlos Astro e Emanuel Coupastor, músicos gospel

Carlos Astro e Emanuel Coupastor, duas referências da música gospel angolana.

Entrada de produtoras seculares no gospel divide opiniões

A presença de produtoras seculares no mercado gospel “de certa forma” potencializa a música mas enfraquece os produtores evangélicos, afirmou no último domingo, o músico gospel Carlos Astro.

Carlos Astro e Emanuel Coupastor, músicos gospel
Carlos Astro e Emanuel Coupastor, duas referências da música gospel angolana.

Falando ao portal Arautos da Fé, o músico lamentou a existência de um “espaço aberto” que permitiu que as produtoras seculares entrassem no segmento gospel.

“Se deixamos algum espaço aberto, é normal que outros venham, achando a nossa fraqueza”, disse, acrescentando que é assim que funciona o mercado: “a fraqueza do outro é a tua força”.

Carlos Astro reconheceu que tais produtoras têm capital e estrutura até para internacionalizar a música gospel, mas sublinhou que elas visam somente o lucro.

Questionado pelo portal, se os músicos podiam estabelecerem parcerias com tais produtoras até que sua condição financeira ficasse estabilizada para poderem caminhar sozinhos, Carlos Astro respondeu que isso é hipocrisia. “Acho que se há um foco, que as pessoas tenham o pé bem assentes no chão. Usar o secular para ganhar um pouco de dinheiro e depois voltar para o ministério, soa hipocrisia”.

Ao comentar o mesmo tema, o músico gospel Emanuel Coupastor, referiu que as produtoras seculares viram uma oportunidade para ganharem dinheiro com a música Gospel e os músicos gospel trabalham para fazer conhecida a Palavra de Deus por intermédio das suas canções, por isso, “não seria mal” que os músicos beneficiassem do dinheiro dessas empresas para depois os próprios músicos, poderem fazer o que as produtoras fazem.

“De forma justa. Sem pensar primeiramente no dinheiro porque elas pensam somente no retorno do que vão investir. Esse é o seu principal objectivo”.

Respondendo a questão sobre a quem recaía o vazio referenciado por Carlos Astro, Emanuel Coupastor, disse ser responsabilidade partilhada entre as lideranças religiosas e os músicos.

“Todos nós temos. Eu tenho dito que esse problema não começou nos meninos, começou nos mais velhos. Esse é um problema político. Nos ensinaram assim: o caminho sujo é de Deus, o dinheiro é do diabo”, lamentou o músico e reconheceu que as produtoras seculares têm o poder financeiro e “conseguem comandar” por causa disso.

“Nos tempos actuais, você não consegue fazer nada sem dinheiro. Elas conseguem fazer tudo por causa do dinheiro. Nós músicos evangélicos não temos esse poder por isso é que eles estão a quer nos usar.”

“Quebrar” os maus ensinamentos, é no entender de Coupastor uma das vias para mudar o quadro.

“Não é só do dinheiro, são os ensinamentos que recebemos desde muito cedo que precisamos quebrar. O dinheiro é para o homem. Deus deu sabedoria ao homem para poder fazer dinheiro e para usa-lo”.